O câncer é um dos maiores desafios para os sistemas de saúde. No Brasil, é a segunda causa de morte na população, e o número de casos tem crescido progressivamente, sendo estimadas 596 mil novas ocorrências apenas este ano. Para enfrentar esse cenário, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está propondo a implantação de um novo modelo de cuidado em oncologia para os beneficiários de planos de saúde.

O projeto OncoRede, elaborado em parceria com institutos de pesquisa e representantes do setor, propõe um conjunto de ações integradas capazes de reorganizar e aprimorar a prestação dos serviços de saúde. Os resultados esperados são um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico, o estímulo à adoção de boas práticas na atenção ambulatorial e hospitalar e melhorias nos indicadores de qualidade da atenção ao câncer na saúde suplementar.

O projeto foi lançado nesta quarta-feira (05/10). Até o dia 06/11, operadoras de planos de saúde e prestadores (hospitais e clínicas ou instituições de tratamento) interessados em implementar as medidas deverão enviar à ANS seus projetos. As propostas selecionadas serão desenvolvidas e, ao longo de um ano, serão monitoradas e terão os resultados mensurados. Os modelos que se mostrarem viáveis poderão ser replicados para o conjunto do setor, de forma a estimular mudanças sustentáveis no sistema de saúde.

“Hoje, pode-se dizer que o sistema de saúde brasileiro apresenta inúmeras barreiras para a continuidade do fluxo do paciente na rede assistencial, a fragmentação da trajetória de cuidado do paciente em diferentes prestadores de serviços de saúde, sem que haja um compartilhamento das informações necessárias entre estes atendimentos. Isso acaba atrasando e dificultando o tratamento e piorando os resultados”, afirmou a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira.

Segundo a diretora, dois dos principais problemas que afetam diretamente a efetividade da atenção aos pacientes com câncer no Brasil dizem respeito à qualidade e integração do diagnóstico e das intervenções mais relevantes – quimioterapia, radioterapia, cirurgia - e à ausência de coordenação do cuidado prestado nos diferentes níveis de complexidade da rede na saúde suplementar.

“Como o câncer exige um cenário de atenção tempestiva, de tratamentos continuados, prolongados, complexos e de alto custo, é fundamental que da suspeita do câncer ao tratamento e até o acompanhamento desses pacientes haja uma profunda articulação de todo esse processo para que se possa observar a melhoria dos desfechos clínicos e a redução nas taxas de mortalidade”, destacou.

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