O presidente da CMB, Edson Rogatti, participou, na noite dessa quarta-feira (24), da abertura oficial do 38º Encontro Catarinense de Hospitais e XI Congresso Nacional de Operadoras Filantrópicas de Planos de Saúde, em Florianópolis (SC). Os eventos, realizados em parceria entre a CMB/Rede Saúde Filantrópica e a Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FEHOSC), vão discutir o tema central 'Como potencializar resultados na Saúde em tempos de crise', até o dia 26 de agosto.

Em seu discurso, Rogatti ressaltou que o Setor saúde, especialmente o filantrópico, tem enfrentado uma dura crise econômica, mas apontou que a CMB e suas Federações têm trabalhado junto a parlamentares, Ministérios, organizações sociais e até à Presidência da República, para que a situação da Saúde seja levada em consideração e sejam consideradas políticas de Estado que possam mudar a situação.

O presidente informou que participou do encontro promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, com mais de 30 entidades de Saúde, defendendo o acesso à Saúde como direito à dignidade da pessoa humana, ressaltando o viés positivo da parceria formada com tais organizações.

Ele também disse que foram realizados encontros com os ministros da Saúde, Fazenda e Casa Civil e, nessa semana, com o Presidente da República, Michel Temer, quando apresentou os pleitos das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos e alcançar apoio do atual Governo.

Confira a íntegra do discurso:

Senhoras e senhores,

É uma satisfação para nós, da CMB, participarmos, mais uma vez, deste encontro com os hospitais catarinenses. Esta é uma oportunidade que temos de fortalecer nossa parceria e incentivar os hospitais a caminharem juntos conosco.

Os tempos atuais não estão favoráveis à economia nacional. Nesse cenário, a crise das Santas Casas e os hospitais filantrópicos torna-se ainda pior. Vivemos uma realidade financeira caótica, com uma contínua descapitalização de nossas entidades, causada pelo subfinanciamento do SUS, atraso nos repasses e contratos com desequilíbrio ente o custo e a receita.

Os números apontam para um colapso. Apenas em 2015, tivemos o fechamento de 218 hospitais, 11 mil leitos e 39 mil demissões de trabalhadores. Nossas dificuldades estão estampadas no noticiário: todos os dias vemos santas casas sendo fechadas por falta de repasses, por falta de condições de arcar com o custeio de seu funcionamento, sem condições de pagar seu corpo clínico. Nós e a população estamos sendo prejudicados por uma dívida que não nos pertence.

Essas questões, contudo, não estão limitadas ao nosso segmento. A CMB, juntamente com suas Federações, tem trabalhado junto a parlamentares, Ministérios, organizações sociais e até à Presidência da República para que a situação da Saúde seja levada em consideração e sejam consideradas políticas de Estado que possam mudar nossa situação.

No início do mês de agosto, participamos de um evento com a Ordem dos Advogados do Brasil e mais de 30 outras entidades ligadas à Saúde. Estamos fortalecendo o movimento que defende o acesso à Saúde como garantia da dignidade da pessoa humana.

Já fomos recebidos pelos ministros da Saúde, Fazenda e da Casa Civil, apresentando nossos pleitos e destacando a importância do Projeto de Lei 744/2015, do senador José Serra, que cria um programa de financiamento específico para Santas Casas e hospitais sem fins lucrativos que atendem o SUS, com juros menores e prazo de carência maiores, via BNDES. A matéria é tão importante, que o governo assumiu o projeto como seu e está direcionando o encaminhamento para a aprovação no Congresso. Isso é notícia boa para nós.

E ontem, fomos recebidos, juntamente com o Instituto Coalizão, do qual fazemos parte, pelo presidente Michel Temer, que ouviu nossas colocações, reconheceu a importância de nossas entidades e também reforçou ao ministro da Saúde que busque a aprovação do PL 744.

Apesar de todas as dificuldades, estamos encontrando portas abertas nesse governo. Temos sido recebidos, ouvidos e esperamos que esse relacionamento tenha bons resultados.

Esse é um caminho que estamos trabalhando, com algum sucesso. Mas ainda há muito para fazer. E o que o seu hospital pode fazer para contribuir? Estamos em período eleitoral nos municípios e a Saúde já está aparecendo como necessidade número um, apontada pela população. Isso significa que muitos candidatos vão citar a Saúde como prioridade em seus mandatos. Até onde isso é verdade? É preciso ser consciente, fiscalizar, cobrar e votar direito. Porque Saúde não é moeda política para ser usada a cada quatro anos. Saúde tem que ser prioridade sempre. Porque disso depende a vida da população e das nossas entidades.

Desejo a todos um bom congresso!

Edson Rogatti - presidente CMB