O secretário estadual de Saúde, Giovanni Cerri, avaliou hoje que São Paulo é o maior prejudicado pelo recuo nos últimos anos do reembolso das empresas de plano de saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) e disse que o repasse desses recursos "praticamente não existe" no Estado. "São Paulo é onde isso ocorre mais porque na capital paulista hoje 50% da população tem plano de saúde", afirmou.

 

 

O secretário reclamou da falta de repasses ao comentar reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, que informou que entre 2007 e 2009 a compensação dos planos de saúde ao SUS teve queda de 31,7%. Já o valor cobrado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão responsável pela cobrança do reembolso, teve recuo ainda maior: de 80,9%. O pagamento à rede pública é determinado por lei, o que tem sido contestado pelas operadoras dos planos.

 

O secretário informou que conversou por telefone hoje com o presidente da ANS, Mauricio Ceschin, e lhe propôs duas medidas para facilitar a identificação dos pacientes e a posterior cobrança dos recursos. "A melhor forma seria identificar o paciente na entrada do hospital e aí pedir o ressarcimento ao plano de saúde", disse. Cerri também recomendou a implementação do Cartão SUS, mecanismo com dados de pacientes de todo País. "Esse cartão revelaria se o paciente tem ou não plano de saúde", explicou.

 

O secretário participou hoje de almoço com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para discutir medidas para aumentar o investimento do governo federal no setor. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) também esteve presente e informou que pediu à União maior repasse de verbas para o financiamento da saúde. O governador disse ainda que solicitou ao governo federal que acelere o envio de cerca de R$ 200 milhões para a compra de medicamentos.