EsacheuO hospital filantrópico precisa ter uma visão focada no negócio e que busque resultados positivos. A afirmação é do presidente da Federação das Instituições Beneficentes e Filantrópicas do Mato Grosso do Sul (Febesul), e da Santa Casa de Campo Grande (MS), Dr. Esacheu Cipriano Nascimento, que será um dos palestrantes da mesa sobre cases de sucesso na Filantropia, que acontece no dia 25 de julho, durante o XIII Congresso Nacional das Operadoras Filantrópicas de Planos de Saúde. Durante sua apresentação, Esacheu deve falar sobre as alterações feitas na gestão da Santa Casa, o investimento no atendimento do setor privado, as ações de benchmarking e a experiência de ter um plano de saúde próprio.

Em entrevista à CMB/RSF, Dr. Esacheu disse que quando assumiu a Santa Casa de Campo Grande, havia uma situação difícil, com R$ 160 milhões em dívidas e o hospital estava degragadado. “Nesses dois anos foi possível recuperar fisicamente boa parte do hospital. Ainda estamos adquirindo os equipamentos, realizando treinamentos, oferecendo mais de 140 cursos para humanizar e melhorar tecnicamente nossos profissionais, especialmente de enfermagem”, explicou. De acordo com ele, essas melhoras proporcionaram uma aumento no faturamento do privado. “Saímos de 97% de atendimento SUS para 80%, ampliando a receita privada. Nós vemos o lado filantrópico, mas temos uma visão focada no negócio. É filantrópico, mas tem que ter resultados positivos. Vamos apresentar esse caso de gestão que tem dado certo para nós, incluindo a criação do plano de saúde e como estamos nos posicionando em Campo Grande. Fizemos uma parceria com uma administradora de planos de saúde e vamos disputar o mercado de igual para igual”, afirmou.

O plano de saúde da Santa Casa começou em 2015 e, agora, estão estudando a possibilidade de compartilhar o plano com os hospitais associados à Febesul. “Estivemos negociando com alguns hospitais a possibilidade de colocarem um ponto de venda do plano de saúde da Santa Casa e, ao mesmo tempo, atender esses pacientes na atenção básica e média complexidade. Se o caso se tornar de alta complexidade, os hospitais poderão remover o paciente para a Santa Casa de Campo Grande. Essa proposta estamos fazendo com todos os hospitais filantrópicos, mas começando pelos que são associados à Febesul”, explicou. Ele disse que também estão negociando com a Federação das Associações Comerciais e Industriais do Estado para que o plano de saúde possa ser ofertado aos comerciantes locais, criando uma clientela com melhor faturamento para todos os hospitais.

O presidente disse que manter um plano próprio é trabalhoso, mas recomenda como estratégia. “Eu penso implementar um plano de saúde é um caminho e todas as santas casas deveriam fazê-lo. Se não, não é possível sobreviver. Não vemos perspectivas de novas receitas geradas a partir da prestação de serviços para o sistema público. Então, temos que aproveitar os limites que a lei autoriza: até 40% de atividade privada. O plano e a Santa Casa têm suas atividades segregadas, mas a operadora é 100% do hospital, o que traz uma simbiose. Temos que gerar nossa clientela, nossa demanda, porque os hospitais vão ganhar tanto na contribuição dos beneficiários para o plano de saúde, quanto vão gerar a demanda da clientela própria. A gente passa a ganhar duas vezes. Mantendo o plano ativo e atendendo no hospital, como prestador, por verticalização”, contou.

Além disso, a Santa Casa está atendendo outros convênios. “Atendemos de 12 a 15 operadoras. Isso permitiu o incremento da demanda particular também, porque, a medida que se atende bem um paciente, ele acaba fazendo a propaganda do hospital. No conjunto, saímos de um faturamento mensal privado em torno de R$ 1,6 milhão, e hoje estamos na faixa de R$ 5 milhões. Nosso objetivo é ampliar isso até o momento em que pudermos captar a clientela para nosso próprio plano de saúde. Enquanto não, vamos atender os outros planos de saúde dentro de um estudo de custos que seja viável, que não comprometa”, disse. Ele ressaltou, ainda, que a Santa Casa prima por uma relação comercial com as operadoras de planos de saúde, sem subterfúgios. “Queremos um preço justo, mas com uma relação comercial honesta e isto tem dado bons resultados para o hospital”.