AdervalPauloFilho UNIDASAs especificidades de cada segmento de operadoras de planos de saúde deveriam ser levadas em consideração pelo órgão regulador, para garantir a sustentabilidade. A opinião é do presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS), Aderval Paulo Filho, que participará da mesa “A visão dos outros segmentos”, durante o XIII Congresso Nacional das Operadoras Filantrópicas de Planos de Saúde. De acordo com ele, em relação às filantrópicas, “pelo importante papel que desempenham para a sociedade, também fica evidenciada a necessidade de regulamentação específica, que diferencie plenamente o segmento”.

O presidente da UNIDAS destacou vários problemas comuns aos segmentos, como a judicialização, a alta sinistralidade, o envelhecimento da população e a incorporação acrítica de novas tecnologias. “A elevação dos custos assistenciais, somada à exigência de formação de provisões técnicas também tem impactado diretamente nas operações dos planos de saúde. Para mudar esta situação, a sugestão é ter maior tempo de formação de reservas e mudanças na metodologia de apuração dos ativos garantidores”, explicou.

Aderval afirmou ainda que o impacto não se deve apenas ao uso de procedimentos e tecnologias mais complexas, mas o aumento dos gastos se dá pelo aumento da utilização, consequência direta do envelhecimento da população, tornando mais urgente e essencial a revisão do modelo assistencial atual.

A mesa “Visão dos Outros Segmentos” acontece no dia 26 de julho, às 10h30 e também contará com a presença de representantes da Abramge e Unimed do Brasil, além da CMB.

Faça sua inscrição online até 18 de julho: www.cmb.org.br/redesaude!

Leia a íntegra da entrevista aqui.

CMB/RSF – Quais os principais desafios que o mercado de Saúde Suplementar tem enfrentado, de maneira geral?
Aderval Paulo Filho - São vários os desafios do setor: altos custos médico-hospitalares, alta sinistralidade, envelhecimento da população, judicialização, incorporação acrítica de novas tecnologias, necessidade de atualização da legislação, entre outros. Falando especificamente sobre as autogestões, segmento que UNIDAS representa, o principal deles é a equiparação dos planos que oferecemos aos que têm finalidade lucrativa. As operadoras geridas pelas próprias organizações não podem comercializar planos, nem têm fins lucrativos. São operadoras que possuem mecanismos próprios de participação dos beneficiários e que correm o risco de ter suas atividades inviabilizadas por exigências legais não pertinentes à sua forma de atuação, podendo afetar sua estrutura de custo operacional e administrativa. De cada 100 beneficiários de autogestão, 30 correm risco de ficar sem assistência à saúde.
A elevação dos custos assistenciais somada à exigência de formação de provisões técnicas também tem impactado diretamente nas operações dos planos de saúde, principalmente das operadoras de autogestão. Para mudar esta situação, a sugestão é ter maior tempo de formação de reservas e mudanças na metodologia de apuração dos ativos garantidores.
Além disso, operadoras de saúde da modalidade de autogestão ligadas a empresas estatais com classificação máxima na ANS (Agência Nacional da Saúde Suplementar) correm o risco de fechar as portas por conta de duas resoluções da CGPAR (32 e 33) que obrigam empresas do governo federal a só manterem essa modalidade de assistência à saúde quando o plano tiver mais de 20 mil vidas no grupo. Na prática, quase 100 mil trabalhadores podem ficar sem plano de saúde.

CMB/RSF – Há um ponto comum nas dificuldades e pleitos dos diferentes segmentos de planos de saúde (Medicina de grupo, filantropia, seguradoras, cooperativas e autogestão)?
Aderval Paulo Filho - Podemos considerar pleitos comuns: redução da judicialização e da incorporação acrítica de novas tecnologias e mudança do modelo assistencial. Por outro lado, todos os segmentos do setor de saúde suplementar têm suas especificidades. Falando especificamente das autogestões, hoje temos quase 26% de nossos beneficiários com idade acima de 60 anos, enquanto o mercado de saúde lucrativo apresenta cerca de 12%. Portanto, as autogestões já trabalham com um perfil etário e epidemiológico com o qual o Brasil só deverá conviver efetivamente em 2030. Essa realidade fez com que as autogestões começassem a investir em promoção da saúde e prevenção de riscos antes dos demais segmentos do setor. Além disso, nosso pleito principal é conquistar mudanças na legislação, para que a regulamentação dos planos privados de assistência à saúde no que tange especialmente às autogestões seja aperfeiçoado.

CMB/RSF – As autogestões têm alcançado algumas legislações que tratem especificamente do segmento, dando um viés particular às operadoras. O Sr. acredita que tanto autogestões quanto filantrópicas, que atuam de maneira diferenciada no mercado, devem ter regulamentações diferenciadas por parte da ANS? Há debate com a ANS nesse sentido?
Aderval Paulo Filho - Com certeza as especificidades de cada segmento devem ser levadas em consideração para garantir a sustentabilidade. No que tange às autogestões, como já comentado, estamos encaminhando esse debate há meses não só com a ANS, por meio de um Grupo de Trabalho, como também no Legislativo, por meio de sugestão na Lei dos Planos de Saúde e participação em audiências públicas. Nas filantrópicas, pelo importante papel que desempenham para a sociedade, também fica evidenciada a necessidade de regulamentação específica, que diferencie plenamente o segmento.

CMB/RSF – Como o envelhecimento da população pode impactar os planos de saúde? As operadoras estão preparadas para atuar neste contexto?
Aderval Paulo Filho - O envelhecimento da população já impacta os planos. A Pesquisa UNIDAS 2017/2018 mostra que o índice de beneficiários da autogestão com mais de 60 anos é de 25,9%. Enquanto a média do setor de saúde suplementar é de 12%. Historicamente, as autogestões já investem em programas de promoção da saúde e prevenção de doenças. Pelo menos 60% das operadoras têm programas de prevenção, com diabetes, dieta e nutrição, hipertensão, combate ao estresse, tabagismo, doenças infecciosas, obesidade e saúde mental, com investimento de mais de R$ 30 milhões. Embora a tecnologia e o uso de procedimentos mais complexos impactem também nos gastos com saúde, percebemos nas autogestões que o aumento dos gastos está ligado, diretamente, ao aumento da utilização do plano, especialmente com internações e exames, aliado ao envelhecimento da população e ao aumento da variação de custos, o que torna ainda mais urgente e essencial a revisão do modelo assistencial atual.

CMB/RSF – O que a UNIDAS espera dos candidatos à Presidência da República no tocante à Saúde Suplementar?
Aderval Paulo Filho - Esperamos que Saúde esteja entre os temas prioritários do debate eleitoral.

CMB/RSF – Para a UNIDAS, é importante que haja esse diálogo entre os vários segmentos da Saúde Suplementar?
Aderval Paulo Filho - Com certeza. O diálogo é fundamental, tanto para debatermos desafios comuns e trocarmos experiências como para definirmos ações e estratégias de melhorias para o sistema de saúde brasileiro.